Por que não invisto na Nvidia?

Investir em ações de tecnologia pode ser uma verdadeira montanha-russa. A principal característica do setor de tecnologia é a sua velocidade de inovação, o que por si só traz volatilidade e imprevisibilidade. As empresas desse setor podem oferecer um potencial de lucro altíssimo, mas, ao mesmo tempo, apresentam riscos elevados. O potencial de upside pode ser imenso, mas, da noite para o dia, o papel também pode desabar simplesmente porque uma tecnologia melhor surgiu. E isso é o que, de fato, aconteceu com a Nvidia.

A gigante dos chips para gráficos e IA, que durante anos foi sinônimo de sucesso, viu sua trajetória ser interrompida de forma brutal após o surgimento da startup chinesa DeepSeek. Em questão de pouco tempo, a Nvidia perdeu mais de US$ 500 bilhões em valor de mercado. O motivo? A concorrente desenvolveu um modelo de inteligência artificial capaz de entregar um desempenho similar aos chatbots ocidentais, mas a um custo consideravelmente mais baixo. Algo que, em um mercado competitivo como o de IA, acaba virando o tabuleiro.

O problema é que esse tipo de fenômeno pode acontecer muito rápido. As tecnologias evoluem em uma velocidade tão acelerada que, muitas vezes, nem os investidores mais atentos conseguem prever as mudanças. Quando a Nvidia estava dominando o mercado de semicondutores, por exemplo, parecia impensável que algo ou alguém pudesse ameaçar sua posição. No entanto, um novo player, com uma inovação disruptiva, pode fazer com que uma empresa que parecia indestrutível perca sua relevância da noite para o dia. E isso é um risco real.

Após o declínio da Nvidia, muitos investidores começaram a procurar alternativas no setor de inteligência artificial. Empresas como AMD e TSMC estão ganhando destaque por produzir chips e semicondutores com um foco mais diversificado e com menores dependências do modelo de negócios da Nvidia. Além disso, gigantes como Microsoft e Google continuam apostando pesadamente na IA. Esse movimento oferece um grau maior de segurança para os investidores, pois essas empresas têm mais fontes de receita e um modelo de negócios mais robusto e diversificado. E embora o mercado de tecnologia continue sendo altamente competitivo, investir nessas alternativas pode representar uma aposta mais segura em comparação com o risco de seguir com ações de outras empresas do ramo.

Agora, para o investidor mais conservador ou moderado, a instabilidade do mercado de tecnologia é um grande alerta. O potencial de ganho pode ser imenso, mas o risco também é proporcionalmente alto. Se você é do tipo que prefere dormir tranquilo à noite, sem se preocupar com o sobe e desce das ações, esse tipo de volatilidade pode não ser ideal. E é aí que entra a renda fixa.

Nos últimos tempos, e principalmente por conta da alta da Selic, os rendimentos da renda fixa têm atraído a atenção de muitos investidores. Títulos oferecendo taxas de mais de 15% ao mês são uma alternativa muito atrativa, especialmente diante da incerteza do mercado de ações, e particularmente do setor de tecnologia. Esses retornos são mais previsíveis e seguros, e muitos investidores que buscam menos risco têm encontrado na renda fixa um refúgio. O fato é que, enquanto o mercado de ações de tecnologia oferece grandes potenciais de retorno, ele também exige uma tolerância ao risco que muitos investidores mais conservadores simplesmente não estão dispostos a assumir.

No contexto atual, com a renda fixa oferecendo retornos substanciais e mais previsíveis, pode ser mais prudente evitar grandes riscos e manter uma estratégia de investimento mais estável. A chave aqui é entender seu perfil de investidor. Se você se encaixa no grupo moderado ou conservador, talvez seja hora de buscar alternativas fora do setor de tecnologia, ou pelo menos balancear sua carteira com ativos mais seguros.No fim das contas, a questão é simples: cada investidor precisa conhecer seu próprio nível de tolerância ao risco. 

 

Inflação não baixa com boné na cabeça

Ultimamente, tenho reparado em uma curiosa tendência nas ruas e nas redes sociais: o uso de bonés com frases nacionalistas, que têm se espalhado por diversos grupos políticos. Esse fenômeno, que já foi observado na candidatura de Donald Trump nos Estados Unidos, com seu icônico “Make America Great Again”, tem ganhado força no Brasil. Figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros do governo, têm adotado bonés com a frase “O Brasil é dos Brasileiros”, enquanto membros da oposição se apropriam de bonés com o lema “Comida barata novamente”. Esses acessórios têm se tornado símbolos de identidade política e ideológica, uma forma de se conectar com as massas e reforçar posicionamentos. No entanto, apesar da popularidade crescente dos bonés e dos slogans como “Brasil acima de tudo”, a dura realidade econômica do país permanece: a inflação continua alta e não cede diante de frases de efeito ou gestos simbólicos.

A inflação, que corrói o poder de compra da população, está longe de ser um problema resolvido, e, na minha opinião, é evidente que um boné de político não vai mudar essa realidade. Tanto o governo quanto a oposição precisam deixar de lado as brigas nas redes sociais e enfrentar de forma séria o problema que afeta a vida de todos os brasileiros. O IPCA, principal indicador da inflação no Brasil fechou o ano de 2024 com alta de 4,83% e agora para 2025, a estimativa de inflação subiu de 5,08% para 5,50%. A meta era de 3% com tolerância de até 4,5%, porém como podemos ver o número ainda está bem acima da meta estabelecida pelo Banco Central. 

 Além disso, a inflação tem afetado diretamente a vida dos brasileiros, especialmente em itens essenciais como alimentos e combustíveis. O preço dos alimentos, por exemplo, subiu 8,23% em 2024, com aumentos expressivos em itens básicos como arroz, feijão, carne e óleo. Já os combustíveis, que são um dos maiores vilões da inflação, registraram alta de 9,71% nos últimos 12 meses e  têm gerado uma pressão adicional sobre os preços de outros bens e serviços. 

Essa escalada de preços tem levado o Banco Central a adotar medidas drásticas para tentar controlar a inflação, com a Selic subindo para 13,25% em janeiro, e com a previsão de alcançar 15% até o fim do ciclo de alta. Com os juros elevados, o crédito se torna mais caro, o que desestimula o consumo e ajuda a desacelerar a demanda, o que, teoricamente, poderia aliviar a pressão sobre os preços. No entanto, os efeitos dessa política não são imediatos e podem gerar consequências negativas, como o aumento da inadimplência, o crescimento do desemprego e uma desaceleração ainda maior da economia.

O cenário se torna ainda mais desafiador ao observarmos o impacto da inflação nas camadas mais vulneráveis da população. O poder de compra das famílias foi severamente comprometido, o que tem feito muitos brasileiros verem sua capacidade de adquirir bens essenciais diminuir drasticamente. O custo de vida nas grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, tem subido de forma alarmante, forçando muitas pessoas a readequar seus orçamentos para conseguir sobreviver. Com o aumento dos juros, a tendência é que, em pouco tempo, também vejamos uma queda nos empregos, agravando ainda mais a situação e tornando o cenário econômico cada vez mais difícil.

No fim das contas, a alta taxa de juros e os constantes aumentos de preços não serão resolvidos com frases em bonés ou gestos simbólicos, mas com políticas econômicas consistentes que possam garantir o controle dos preços sem prejudicar o crescimento econômico. Não adianta símbolos e slogans para atrair apoio, os números da economia não mentem: é preciso mais do que boné na cabeça para resolver a crise inflacionária que atinge a todos. O grande desafio, agora, será encontrar um equilíbrio entre o combate à inflação e a retomada do crescimento econômico, sem que as medidas de austeridade resultem em mais dificuldades para a população, especialmente para os mais pobres.

 

Por que o brasileiro ficará mais pobre em 2025?

Nos próximos meses, nós brasileiros, sentiremos um aumento significativo no preço dos combustíveis, com a gasolina e o diesel mais caros nas bombas. Mas engana-se quem pensa que isso só vai afetar os donos de veículos automotivos. Esses reajustes deverão pressionar a inflação, especialmente os preços dos alimentos, gerando mais desafios para o governo de Lula, que já enfrenta dificuldades no controle da escalada dos preços no país e em sua popularidade.

O que acontece é que pela primeira vez em 13 anos, a petroleira não reajustou o diesel ao longo de todo o ano de 2024, o que gerou pressões internas e externas para que a empresa corrigisse a defasagem. A defasagem do preço do diesel, por exemplo, já está entre 14% e 17%, enquanto a da gasolina está em 7%. E esse desequilíbrio levará a Petrobras a promover dois reajustes no diesel, enquanto a gasolina e o álcool terão apenas um, determinado pelo aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS).

Embora a decisão de aumentar o ICMS não tenha partido do governo federal, ela terá um impacto direto sobre o bolso dos consumidores. O aumento nos preços do diesel e da gasolina tende a elevar os custos de transporte, o que, por sua vez, afeta os preços dos alimentos e de outros produtos essenciais, já que no Brasil, quase tudo é transportado por caminhões. Então, se o custo do frete aumentar, esse valor será repassado para os produtos e, consequentemente, para o consumidor. 

Além disso, esses reajustes de combustíveis devem aumentar a pressão inflacionária, o que forçará o Banco Central a manter a trajetória de alta dos juros para tentar controlar a inflação. No ano passado, a inflação já ficou acima das expectativas, e não tenho dúvidas de que este ano o Brasil vai estourar o teto da meta da inflação; afinal, o aumento da gasolina tem efeito direto sobre o IPCA, o índice oficial de inflação, que é uma das principais preocupações do governo. 

Um dos maiores temores dos investidores é que o governo tente intervir nos preços de forma artificial, o que poderia prejudicar ainda mais a saúde financeira da Petrobras. Isso lembraria o período do governo de Dilma Rousseff, quando, ao tentar controlar a inflação, houve uma contenção nos reajustes de combustíveis que resultou em uma enorme perda para a empresa, estimada em R$ 100 bilhões. Esse episódio é lembrado como um erro de gestão que quase quebrou a Petrobras.

Porém, o fato é que, a partir do dia 1º de fevereiro, o ICMS sobre a gasolina e o etanol aumentará R$ 0,10 por litro, enquanto no diesel e biodiesel o acréscimo será de R$ 0,06. Essa medida, aprovada pelos governos estaduais em outubro de 2024, eleva o ICMS da gasolina para R$ 1,47 por litro e o do diesel para R$ 1,12. 

Em um cenário de inflação crescente e ajustes fiscais exigidos para estabilizar a economia, o governo terá que equilibrar as necessidades de controle da inflação com a pressão de não afetar mais ainda o poder de compra da população. O presidente Lula precisará de medidas consistentes para garantir a recuperação econômica sem comprometer ainda mais o bem-estar dos brasileiros.

 

Por que o crédito privado é a bola da vez em 2025?

Com a Selic nas alturas e perspectivas de poder passar de 15% em 2025, a renda fixa, especialmente o crédito privado, está ganhando cada vez mais espaço no radar dos investidores. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão assumindo protagonismo absoluto, conquistando cada vez mais investidores e atraindo a atenção do mercado.

Acredito que o motivo é simples: o setor tem mostrado um crescimento acelerado e consistente. Ao final de 2024, os FIDCs alcançaram R$ 589 bilhões em patrimônio líquido, superando pela primeira vez os fundos de ações. Esse aumento de 32,6% em relação a dezembro de 2023, quando o setor somava R$ 444 bilhões, reforça a tendência de migração de capital para o crédito privado.

Mais do que um movimento numérico, o crédito privado tem mostrado sua capacidade de criar soluções ágeis e inovadoras para o mercado. Um ótimo exemplo é o iFood, que utiliza FIDCs para financiar seus parceiros de forma ágil e eficiente. Enquanto um banco tradicional pode levar até dois anos para ser constituído, um FIDC pode ser estruturado em apenas uma semana. Essa velocidade permite que empresas ofereçam crédito de maneira descomplicada, fortalecendo suas redes de parceiros e impulsionando o crescimento de suas operações.

Além disso, as mudanças nas regras implementadas pela CVM em novembro de 2024, foram um divisor de águas para o mercado de FIDCs. Entre as principais alterações, está a possibilidade de os fundos adquirirem cotas de outros FIDCs, ampliando sua flexibilidade e capacidade de diversificação dos investimentos. A isenção do come-cotas, também contribuiu para sua diferenciação frente a outros fundos, como os multimercados e de renda fixa, que são tributados semestralmente com alíquotas de 15% a 20%, ou seja, o atrativo não está na isenção, mas no fato de que o montante do come-cotas continua rendendo até o momento do resgate. Em um cenário de juros elevados, isso faz toda a diferença para quem pensa no longo prazo.

Outro ponto importante é que eles conseguem atender diferentes perfis de risco e liquidez, e essa flexibilidade é o que  permite que setores como industrial, agropecuário e construção civil se beneficiem diretamente desse modelo de financiamento. Com um mercado que alia regulação favorável, rentabilidade atrativa e versatilidade operacional, os FIDCs consolidam-se como a “bola da vez” em 2025. Para investidores que buscam diversificação e maior previsibilidade, o crédito privado desponta como uma alternativa eficiente, capaz de competir diretamente com opções tradicionais do mercado financeiro.