Por que Elon Musk coloca os investidores da Tesla em risco?
Quando pensamos em Elon Musk, logo nos vem à mente um dos maiores empreendedores e visionários da atualidade. Ele não só comprou o “Twitter”, como também revolucionou a indústria automotiva com a Tesla e no campo espacial com a SpaceX. No entanto, apesar de todo o seu sucesso, algo que eu tenho notado ao longo dos anos é que sua postura política e decisões controversas tem colocado não só sua imagem, mas também os investidores e acionistas de suas empresas em risco.
O risco de exposição política é evidente e a Tesla tem sido um dos exemplos mais claros disso. As ações da montadora de carros elétricos sofreram quedas significativas nos últimos meses, com perdas bilionárias que afetam diretamente os investidores. A relação de Elon Musk com o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sido um dos principais pontos de crítica. Musk foi um dos bilionários a aparecer ao lado de Trump na cerimônia de posse, no entanto, desde aquela data, seis dos dez maiores bilionários do mundo perderam juntos quase US$ 225,3 bilhões, e Musk foi um dos mais afetados. Sua fortuna caiu de US$ 486 bilhões em dezembro do ano passado para US$ 301 bilhões uma perda de US$ 132 bilhões, o que equivale a mais de 50% de sua riqueza.
No entanto, as perdas financeiras não param nos números da bolsa. A exposição política de Musk gerou outro tipo de reação negativa: o boicote. Ao se alinhar com uma agenda política polarizadora, Musk tornou-se uma figura divisiva, e a Tesla foi alvo de uma série de ataques e atos de vandalismo. Concessionárias e estações de carregamento foram danificadas em diversas partes do mundo desde o início do governo Trump. Esse cenário foi amplificado por uma crescente reação política contra Musk, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, onde consumidores passaram a associar a Tesla à ideologia do empresário, prejudicando diretamente as vendas da empresa.
Essa associação política negativa também impactou o desempenho das ações da Tesla, que sofreram uma queda abrupta de 45% no último ano. Para entender a gravidade disso é importante lembrar que a Tesla não é apenas uma fabricante de carros; ela se posiciona como um símbolo de inovação e progresso. Ao adotar uma postura política tão polarizadora, Musk colocou sua própria marca em uma posição vulnerável, onde os valores corporativos da empresa começaram a ser questionados por consumidores e investidores.
Esses ataques, alimentados por essa crescente reação política, refletiram diretamente nas perdas financeiras da Tesla. Desde o auge do otimismo com a presidência de Trump, a montadora perdeu impressionantes US$ 700 bilhões em valor de mercado. Em 10 de março, a Tesla registrou seu pior dia na bolsa desde 2020, com uma queda de 15%. Para os investidores, isso representa um risco considerável, uma vez que a falta de confiança na liderança de Musk gerou instabilidade no valor de mercado da empresa.
Além dos desafios financeiros nos Estados Unidos, a Tesla também enfrentou quedas nas vendas, principalmente na Europa. A marca viu uma diminuição de 76% nas vendas na Alemanha, o maior mercado automotivo do continente, o que gerou questionamentos sobre a sustentabilidade dos negócios da empresa em um cenário cada vez mais politizado. O apoio de Musk a partidos de extrema-direita na Europa, particularmente na Alemanha, só intensificou a pressão sobre a Tesla, fazendo com que muitos consumidores europeus reconsiderassem suas decisões de compra.
Outro ponto crucial é o impacto no ambiente de trabalho e nas relações com os funcionários. A postura de Musk em relação a cortes de empregos nos EUA, como a redução de cargos de guardas florestais e outros servidores públicos, gerou um clima de insatisfação entre os trabalhadores e afetou negativamente a percepção pública sobre suas empresas. Muitas pessoas passaram a associar a postura política de Musk com práticas empresariais que prejudicam os direitos dos trabalhadores, afetando diretamente a imagem das empresas sob sua liderança.
Claro que Elon Musk não está prejudicando suas empresas sozinho. Existem outros fatores externos que ajudaram essa queda, sendo um dos principais a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, com tarifas de importação elevadas impostas por Trump, prejudicando as empresas de muitos bilionários, incluindo Musk. E a ascensão da inteligência artificial chinesa, mais barata e eficiente, contribuiu para a perda de competitividade das empresas americanas, especialmente aquelas com negócios diretamente relacionados à tecnologia, como a Tesla.
Mas deixo a reflexão: vale a pena se expor politicamente ou entrar no cenário político quando já se tem um patrimônio e uma imagem consolidada? A questão é complexa, pois o risco de associação política pode perdurar por anos e impactar gravemente a saúde financeira de uma empresa. Não é apenas Elon Musk que enfrenta essa situação. Marcas como a Havan, de Luciano Hang, também lidam com os efeitos dessa exposição há anos, após o apoio explícito a certos candidatos e ideologia, já que o impacto dessa polarização vai além de uma simples crise momentânea e pode afetar a confiança dos consumidores, gerar boicotes e até prejudicar a imagem da empresa a longo prazo, refletindo diretamente nas vendas e no valor de mercado.